quinta-feira, setembro 27, 2001

nota: 73. Fui muito mal no concurso. Mas o que era de se esperar?...
A MEU TIO QUE MORREU LOUCO

Dobram os sinos por aquele que morreu cedo.
Ou não?

Quando jovem talvez fosse cheio de vida,
Mas não tenho certeza.
Conheci-o na meia-idade,
Quando os remédios para a tuberculose já o haviam deixado louco –
Diagnóstico: esquizofrenia paranóide.

Pequenas doses de Diasepan o faziam dormir à noite.
Aposentadoria por invalidez,
Pequenas obras em casa,
A voz bonita no coro da igreja,
Os estudos bíblicos,
As visitas a minha mãe nas tardes de sábado,
Um casamento equivocado,
O fim do casamento equivocado.

A primeira grande crise,
E o homem mais gentil e doce que conheci
Tornou-se agressivo e vagava nu pelas ruas.

Grandes doses de Diasepan já não o faziam dormir à noite.
Mas em seus intervalos de lucidez voltava a ser o Tio Benfica
Que sorria e dizia, com lágrimas nos olhos, que o Senhor o havia curado.

Várias internações,
E em meio ao tratamento sub-humano ele panfletava a Palavra de Deus
Entre loucos e enfermeiros.

Por fim,
Um derrame cerebral,
Alguns dias de agonia na emergência superlotada de um hospital público,
E hoje, o encontro com a Morte:
Inchado,
Semiparalisado,
Esquecido
Solitário como sempre fora,
Dormiu finalmente.

(Nunca um amor verdadeiro,
Nunca uma noite ardente,
Nunca uma gota de álcool,
Nunca uma palavra áspera,
Nunca uma ocupação digna.
A morte, cura para a doença que lhe matou a vida.)

14 de março de 2001,
55 anos.
Os sinos dobram por aquele que morreu cedo?
Não.
Morreu tarde aquele que nunca viveu a tempo...

domingo, setembro 16, 2001

Para Ela


Não se preocupe se minhas palavras não fazem sentido
(Eu não sei mais o que faz sentido);
As palavras já não são importantes.
O tempo das palavras acabou,
Elas estão gastas:
Gastei-as todas em mentiras com quem não era importante
- “Só um pouco de fricção...”, lembra?

Não falo mais por palavras.
Estes são versos azuis sobre uma folha cor-de-rosa, nada mais...
Preste atenção ao que dizem meus olhos,
Minhas mãos,
A interpretação dos meus sonhos
E o ritmo louco das batidas do meu coração.

Estive perdido por muito tempo
Em um lugar onde não havia tempo.
Talvez por isto eu tenha aprendido a fazer as coisas apressadamente,
Ou a deixá-las para quando já era tarde demais.
Sou como o menino que foi chamado para o jantar mas estava brincando e atrasou-se
E que quando chegou já haviam tirado a mesa,
Restando-lhe uma fome que iguaria alguma poderia saciar.

Senti-me feliz quando fui encontrado por você,
Mas ainda não tenho certeza se este sou Eu ou a materialização do que sempre desejei ser.
Sempre sobrevivi a tudo
Alimentando-me de pequenas certezas.
Mas as certezas se foram e agora tudo pode acontecer
E isto é muito, muito bom.

O seu sorriso de anjo me fez sentir orgulho de ser um palhaço,
A sua coragem transformou minha coragem-falsa numa esperança verdadeira,
E a sua voz, à noite, me fez pouco a pouco deixar de ser um fantasma –
Porque o seu desejo fez com que eu me tornasse novamente Real.

Por lhe haver encontrado, eu não preciso mais procurar por mim...

Estas são palavras que talvez não façam sentido,
Mas são as únicas palavras sinceras que me restam.

Este é um poema que talvez não possa ser compreendido,
Composto por palavras que talvez não tenham importância,
Mas mesmo assim, como todos os outros, foi feito para você...

sábado, setembro 15, 2001

Nunca se esqueça que Murilo ama Angela


O sorriso de Angela me faz feliz, e seus beijos fazem meu corpo vibrar de paixão e desejo. Amo-a tanto que começo a acreditar que meu coração está aumentando de tamanho para abrigar o Amor que estou sentindo e aumenta a cada dia. Durante muito eu tempo não acreditei no que estava sentindo e preferia acreditar no que as pessoas me diziam a respeito de mim mesmo; mas agora posso afirmar com toda certeza do mundo: Amo meu anjo, amo minha princesa, amo minha Vênus, amo Angela Sobreira dos Santos Cêa; amo seu sorriso, amo seus olhos, amo seus cabelos, amo sua índole, amo sua sinceridade, amo sua coragem. Agradeço a Deus por ela existir e por tê-la colocado no caminho da minha Vida. Ela é a Luz que iluminou meu vazio interior, o Sol que brilhou no horizonte da minha esperança após uma longa noite de tempestade...
Estamos juntos há apenas vinte e três dias, mas já não consigo lembrar-me de quem eu era antes de conhecê-la. Um poeta sem musa; um mágico sem poderes; um corpo sem alma; um coração sem sentimentos; um presente sem futuro... Mas minha Angela surgiu e se tornou minha musa, fez com que eu recuperasse minha magia e trouxe de volta minha alma, meu amor e minha esperança num futuro feliz. Agora, simplesmente por ela existir e me amar, são belos e felizes os dias de sol e os dias de chuva. Agora todos os dias são meus porque, mesmo distante, meu anjo está sempre comigo. Nosso encontro estava escrito no Livro do Destino, um livro escrito por Deus bem antes da criação do universo. Nosso amor é algo celestial, divino, e nasceu antes de haver o sol, as estrelas e a lua. No Princípio-de-Tudo, éramos uma energia única, mas nossa luz e calor eram tão intensos que ofuscavam o sol e, por isso, Deus precisou nos separar em dois corpos físicos diferentes.
Agora que a encontrei e a amo – amo-a como nenhuma pessoa jamais amou outra - , sei que ela não é uma outra pessoa, mas sim uma parte minha da qual há muito estive separado. Amo-a muito, infinitamente, incondicionalmente e sinto que amando-a estou amando a mim mesmo.
Nada, senão a Vontade de Deus, poderá nos separar. Ela usa palavras bonitas, e tem razão: “A eternidade nos espera”...
De vez em quando, passo horas no bate-papo do uol vendo fotos eróticas. Todas as vidas precisam de um pouco de pornografia. Pelo menos uma pequena dose...
Frio
No calor do Rio.
Olhares prometendo o Céu...
Preciso estudar pro concurso, mas a net não deixa. Acho que estou viciado nesse troço. Pior ainda e ter de ficar em casa sozinho, porque minha mulher e babá foi ensinar Matemática pro pessoal que vai tentar entrar pra Casa da Moeda. De bom mesmo só o email da Lua, que fez com que eu me sentisse menos sozinho.

"Os nossos sonhos acabam por se realizar, mas de um modo tal que já não podemos reconhecê-los." (Dostoievski)

sexta-feira, setembro 14, 2001

Eu devo ser maluco ou megalômano para ainda estar estudando para um concurso com média de 750 candidatos por vaga!
É tudo por hoje...
Não me assistam a tirar a maquilagem.
Os palhaços são sempre tristes no camarim...
Não me peçam para melhorar.
Sou o melhor no que faço,
Mas nada faço.
Toda minha força consiste
No que não posso fazer...
A luz fraca esfria o chumbo em meu sangue.
Hoje é um dia sem esperança
De uma semana sem esperança
De um tempo sem esperança
E eu estou dançando conforme a música.

No meu rosto sem expressão,
A minha alma se debate
Como um selvagem apanhado numa armadilha.
E o meu desejo é inútil como estrelas numa terra onde não há céu.
Expediente

É preciso fazer sorrir,
Mas às vezes torna-se difícil viver o lado cômico da vida.

Hoje não sou o que um dia sonhei ser,
Não sou o que eles querem que eu seja,
Não sou o que ela esperava que eu fosse,
Não sou feliz, nem sou triste
"Nem sei se sou o sonho que alguém de outro mundo está tendo",
Mas estou escrevendo estes versos para não me esquecer que estou vivo.

Em meu rosto há uma irremovível maquilagem de palhaço
E, entre gargalhadas, ninguém repara que a alma do
Palhaço não tem esperanças.
Chamo-me Murilo,
Esta é uma Sexta-feira qualquer
De um ano que será esquecido pelas gerações futuras,
A mulher que amei acordou vestida para festa,
Seus olhos me fizeram ficar em silêncio
E eu vou passar a madrugada de amanhã, com frio, ao ladode outra pessoa.
Sinceramente, sexo tornou-se apenas um pouco de fricção,
Mas palavras às vezes são mentiras, ou lágrimas.

Chamo-me Murilo,
Sou um operário fabril tomando um café requentado por alguém que jamais conhecerei,
por alguém que talvez seja feliz.
Porque existem pessoas felizes:
- O impressor que comete erros de Português;
A mulher que tem três amantes e conhece todos os motéis da Avenida Brasil;
O menino de dez anos que ontem à noite deu seu primeiro beijo;
O traficante que sobreviveu a mais uma troca de tiros com a Polícia;
A puta que esta noite vai tomar doses e mais doses de Domecq;
O marido que vai trair sua esposa;
O noivo que vai trair sua noiva;
A menina que se diverte com pagode e música baiana;
A outra menina que usa botas de couro e que está salva porque conhece o Deus-Vivo;
E todos os outros e outros e outros...

Chamo-me Murilo
E jamais desejei que tivessem esperanças por mim...

Chamo-me Murilo
E estou escrevendo este poema para alguém que vai achar que o fiz para outra pessoa...

Hoje chamo-me Murilo,
Esta noite irei beber,
Vomitar e dormir
E, enquanto isto, jamais saberei ao certo
O que estará fazendo a outra metade da minha vida.

Acordarei na tarde de amanhã com o rosto intacto,
Devidamente maquilado
Para representar o papel de sempre
No centro do picadeiro
Do Lado Cômico da Vida...


Este poema foi escrito em 21/07/2000. A "menina que se diverte com pagode e música baiana" é, hoje, minha esposa.

quarta-feira, setembro 12, 2001

Um Milagre aconteceu e uma menina, Luana (Luna, Lua, Mistério - belo nome), acessou meu blog e me ensinou a por este contador e o livro de visitas!
Num minuto você está vivo e no outro um avião entra pela sua janela. Davi matou Golias com uma pedrada no olho. O atentado dos filhos de Ismael (Nostradamus!) foram duas pedradas nos olhos do gigante capitalista, que ficou cego durante algumas horas, mas não morreu; e agora pode revidar no primeiro alvo embaçado que vir pela frente...
Mas nada disto me diz respeito. Eles que têm armas e loucura que se entendam. Enquanto eles estavam malucos, eu comia uma gostosa porção de batatas-fritas e fazia um bom sexo com minha mulher... O Mundo que acabe se tiver de acabar, ou então não acabe nunca.
Enquanto isso, a jukebox no bar aqui do lado continua repetindo e repetindo esta música enjoada do KLB...

domingo, setembro 09, 2001

Se um milagre acontecesse e alguém visitasse meu blog e me dissesse como fazer para por um contador e um "guessbook" aqui, eu agradeceria aos céus...
O final da música "Homem na Estrada", dos Racionais Mc's, é, sinceramente, uma das coisas mais criativas que já vi na vida.
A dois meses de completar 27 anos, estou imprimindo um poema para minha primeira leitora e fã. Já tive outras leitoras - todas mulheres - que diziam adorar minha "literatura", mas eram namoradas ou mulheres que me amavam e, por isso, não podem ser levadas a sério.
A mulher de quem estou falando é uma perua frívola, de trinta e poucos anos, que talvez um dia tenha sido bonita. Uma mulher inculta, que tenta usar palavras difíceis quando fala. Amante de um dos chefes de divisão da fábrica em que trabalhamos, tenta a todo custo deter a ação do tempo sobre si, andando em companhia de pessoas mais jovens. Diz-se apaixonada por um dos amigos, dez ou quinze anos mais garoto que ela. Carine gostou de um poema que diz assim:

Depois da primeira vez que lhe vi,
Todas as outras mulheres deixaram de ter cara;
Depois da segunda vez que lhe vi,
Todas as outras mulheres deixaram de Ter buceta;
Depois da terceira vez que lhe vi
E você me amou,
Todas as outras mulheres deixaram de existir...


EXPEDIENTE

Esta manhã, quem eu sou passou por quem eu era e não o reconheceu.
Quando o frio do inverno era mais frio e mais ameno,
Dias e noites eram hoje e não precisavam ser planos, nem esperanças,
E os milagres caíam das nuvens, como chuva.

Os olhos tristes dela temiam por uma traição que a minha timidez tornava impossível de acontecer,
Num tempo em que cada estrela brilhava como um céu azul
Um palmo acima do teto dos edifícios,
Num tempo em que não havia sexo algum
E nem mesmo o Amor em toda sua plenitude,
mas versos de amor eram escritos diariamente num caderno de capa negra.

Estas são saudades de um tempo do qual não tenho saudades.

Hoje canto a degradação,
Canto álcool e pedofilia
E minha inspiração para o banho são fodas de uma mulher quando era adolescente.
O último dos milagres me faz acordar todas as manhãs, às seis.
Minha profissão é um exercício da mais pura estupidez humana
E meu futuro são cem questões assinaladas à tinta preta num cartão de respostas...
Não tenho saudades de ninguém. Nem mesmo dos que se foram. Talvez eu aprenda a ter saudades quando estiver morto...

domingo, setembro 02, 2001

A matança começou antes do que todos esperávamos. Guinho, Ceará, Tatá, Fabiano... Todos mortos na mesma noite, com muitos tiros e requintes de crueldade. Por conta disto instaurou-se o medo. São onze e meia da noite e ninguém se atreve a por a cara para fora do portão de casa. As ruas estão desertas, o vento não sopra, os ratos não saem a vasculhar o lixo como de costume e até os fantasmas têm medo de servirem de alvo para a fúria. Não há tráfico nem orgias estimulantes; para alegria das mães, as meninas de treze anos, futuras grávidas adolescentes, estão hoje a salvo.. Nós estamos cada um em seu bueiro, enroscados aos ratos na tentativa de aquecer-nos; mas, de repente, a galeria onde estamos é invadida por uma onda de excremento de donas-de-casa, comerciantes, policiais, cabos da aeronáutica, crentes, loucos, tuberculosos e candidatos a vereadores. A merda quente e peganhenta, recém-expelida, cai sobre nós que finalmente percebemos que nossos tremores não são de frio, e sim de medo. Não é mais uma brincadeira com armas que atiram chapinhas, não é mais como bater ou apanhar dos garotos da rua vizinha. Crescemos, envelhecemos, somos homens e agora há grandes e quentes pedaços de chumbo prontos a perfurar-nos o crânio.
Sou o que corre menos perigo, se é que corro algum. O “rapaz pacato, cordial e inteligente”, diriam os vizinhos. Mesmo assim tremo como os outros; o cinismo não me pode salvar sempre. E enquanto tremo penso em Rosa, que dizia amar-me porque sou louco e depois me largou aqui para morrer; eu a imagino aqui, deitada sobre mim, fingindo estar feliz, mas intimamente torcendo o nariz por ver excremento por toda parte. Para o Inferno! Vá viver com seu jovem saudável e purificado. Prefiro pensar em Luciana, que com certeza há de sentir minha falta, estando onde estiver.
Às vezes, em meio ao desespero, só consigo pensar em mulheres. São poucas e sequer são realmente minhas, mas quando quero pensar em algo que possuo, são só o que me vem a cabeça...
Como será a boceta de Rosa? Que mistérios esconderá sua rasa e limpa xoxotinha de virgem? Sim, as virgens são raras e diferentes entre si. A maioria tem apenas duas ou três gotas de sangue dentro da boceta; outras têm também um pequeno ou grande grito; algumas têm sangue suficiente para uma Segunda defloração; algumas têm já um óvulo à espera, outras têm antes do óvulo uma cartilha e um àbaco; algumas têm amor, outras um encharcado bilhete azul; algumas têm restos de esmalte de unha; algumas não têm nada dentro, nem mesmo hímen, são completamente ocas e não causam a menor comoção ou remorso. Mas como será então a de Rosa? Que haverá logo após a placa onde eu lia “cuidado com o cão!”? Talvez haja estrelas de primeira grandeza, talvez o espírito de alguma puta enforcada, ou um abismo no qual seu homem se estatelará mil vezes; ou talvez haja simplesmente luz, paixão e alegria – um raro diamante que eu joguei ao lixo como se fosse vidro.
Sou jovem, muito jovem e até hoje fracassei em tudo. Fracassei como estudante, fracassei como filho, fracassei como irmão, como amigo, como vagabundo, cafajeste, amante e até como homem; mas o meu fracasso maior, talvez pai de todos os outros, foi não ter levado Rosa para a cama, foi não Ter sequer tentado. Pois eu a amava como qualquer idiota comum, ou até mais, eu a amava como amava um idiota qualquer do tempo dos românticos. Durante todo o tempo em que estivemos juntos, jamais passou pela minha cabeça imaginar que ela pudesse ter uma boceta, por menor que fosse; e só agora, mais de um ano depois dela ter-me deixado sozinho no meio das feras, comecei a ter alguns sonhos obscenos com ela. Felizmente, embora hoje a ausência dela me angustie um pouco (angustia-me mais saber que ela está com um imbecil), na época não levei nosso caso a serio, o que foi minha salvação, meu Cristo. Se eu a tivesse levado a serio, ela e suas palavras e suas cenas de ciúmes, fatalmente teria estourado meus miolos...
As ruas desertas e em completo silêncio... o ronco do motor de um carro pode ser o alarme para uma chacina. E eu aqui, em meu subterrâneo, divagando a respeito de Rosa enquanto penso em outras mulheres. Só mulheres – por quê? Porque não há nada mais no que pensar, não existe outra coisa que não seja deprimente ou mesmo desesperadora. Não há mais possibilidade de conquista porque não há o que conquistar. Não há nada que surpreenda: um homem entra numa escola e fuzila cinqüenta crianças, enquanto na casa de outro a polícia descobre quinze cadáveres de adolescentes; e o único motivo de espanto é saber que isto já se tornou banal. Um dia o homem desembarcará no centro do sol e isso não provocará nem surpresa, nem rugas na testa. O último assombro foi a bomba-atômica. Hoje a maior conquista de um homem é um bom emprego burguês e dinheiro suficiente para comprar um par de guarda-costas; e que se dane a salvação das florestas, das baleias azuis e dos direitos da criança. Falimos moral e espiritualmente, atropelamos qualquer coisa que se intrometa entre nós e o nosso dinheiro. Eles faliram... nós somos os frutos podres de suas árvores contaminadas pela praga. Não pensamos, não queremos, nem cremos em nada; apenas damos vazão ao nosso latente instinto de anarquia, sexo e violência. Somos o que foi feito de crianças as quais nada ensinaram. Sóbrios ou não, nós saímos, fodemos e voltamos para casa; depois saímos novamente, , fodemos outra vez e não voltamos para casa até que o sol nasça e anuncie um novo dia igual; então dormimos, acordamos e de vez em quando nos sentamos na privada e sonhamos com um mundo diferente...