EXPEDIENTE
Esta manhã, quem eu sou passou por quem eu era e não o reconheceu.
Quando o frio do inverno era mais frio e mais ameno,
Dias e noites eram hoje e não precisavam ser planos, nem esperanças,
E os milagres caíam das nuvens, como chuva.
Os olhos tristes dela temiam por uma traição que a minha timidez tornava impossível de acontecer,
Num tempo em que cada estrela brilhava como um céu azul
Um palmo acima do teto dos edifícios,
Num tempo em que não havia sexo algum
E nem mesmo o Amor em toda sua plenitude,
mas versos de amor eram escritos diariamente num caderno de capa negra.
Estas são saudades de um tempo do qual não tenho saudades.
Hoje canto a degradação,
Canto álcool e pedofilia
E minha inspiração para o banho são fodas de uma mulher quando era adolescente.
O último dos milagres me faz acordar todas as manhãs, às seis.
Minha profissão é um exercício da mais pura estupidez humana
E meu futuro são cem questões assinaladas à tinta preta num cartão de respostas...
Esta manhã, quem eu sou passou por quem eu era e não o reconheceu.
Quando o frio do inverno era mais frio e mais ameno,
Dias e noites eram hoje e não precisavam ser planos, nem esperanças,
E os milagres caíam das nuvens, como chuva.
Os olhos tristes dela temiam por uma traição que a minha timidez tornava impossível de acontecer,
Num tempo em que cada estrela brilhava como um céu azul
Um palmo acima do teto dos edifícios,
Num tempo em que não havia sexo algum
E nem mesmo o Amor em toda sua plenitude,
mas versos de amor eram escritos diariamente num caderno de capa negra.
Estas são saudades de um tempo do qual não tenho saudades.
Hoje canto a degradação,
Canto álcool e pedofilia
E minha inspiração para o banho são fodas de uma mulher quando era adolescente.
O último dos milagres me faz acordar todas as manhãs, às seis.
Minha profissão é um exercício da mais pura estupidez humana
E meu futuro são cem questões assinaladas à tinta preta num cartão de respostas...


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