domingo, outubro 14, 2001

Não tenho a menor idéia de que horas são. Na tv, Hamlet observa algumas caveiras e chega à conclusão de que não somos nada e no final fedemos. Ao meu lado, minha mulher dorme. Suas mãos estão tensas, seus cabelos estão quentes, seus olhos estão sonhando. Não sei se ela dorme em paz.
Faz calor e faz frio no horário de verão. Estamos nus sob o edredom. Abaixo do umbigo, tenho um membro duro como um osso, mas não a foderei esta noite. Horas atrás, a buceta dela me deu uma piscadela e me disse bem baixinho que precisa descansar.
minha vigília é vigiada de perto por uma planta sem nome, contaminada pela bactéria Antrax. foi uma prostituta em outra vida; agora agoniza à espera de um super-herói imbatível de olhos cor-de-mel.
Cleópatra executa a dança-do-ventre dentro do meu espelho, meu espelho esverdinhado. o espelho esverdinhado que é minha alma ancestral. Quantos mistérios ao redor. A cabeça da rainha é servida numa bandeja ao lado da de João Batista. Seu cérebro tem gosto de cobra. Salomé sacode seu chocalho; Herodes olha ao redor caçando um novo alvo. Ele me fita. Parto o espelho para não ser a vítima da vez.
Onde está o banquete prometido?