segunda-feira, outubro 15, 2001

Sinceramente, é reconfortante estar aqui. Silêncio e uma aura de paz estão ao meu redor. Sinto-me irresponsável, livre, com o dia inteiro pela frente - e é disto que eu gosto.
Hoje é dia de um movimento grevista, um movimento tolo e sem qualquer razão de ser. Os que estão comigo, ao meu lado, "companheiros", acreditam no propósito do que estão fazendo. Eu não, falta-me a credulidadee sobretudo a ignorância. Sou um cínico. Estou aqui porque não gosto de trabalhar e porque gosto de observar os fatos humanos. Não tenho ilusões, senão as românticas: nenhum movimento coletivo jamais gerou resultados concretos, mas o homem que, sozinho, assaltou o trem-pagador está rico até hoje. Luto, isoladamente, por mim; por mim e pela mulher que amo. E mais: luto quando luto. A Vida não deve ser luta, mas diversão; não deve ser tensão, mas sim alegria. Sou um homem feliz porque tenho um cérebro que pensa, um coração que ama e uma pica que fica dura quando ouço a voz da mulher que amarei pelo resto dos meus dias. Amo a Deus e a Vida me pertence; uma vida que se pode acabar a qualquer momento.
Há momentos em que o Sentido da Vida me cai sobre a cabeça, como merda de pombo. Estou feliz porque sinto-me livre e assim me sinto Eu-Mesmo. Estou livre, ao menos por hoje, e este momento de epifania de alma vale muito mais que os Quinze Reais de aumento que são a desculpa para eu estar aqui.