Na volta para casa, a van da fábrica leva apenas cinco passageiros, mas faz um tour por toda a Baixada Fluminense antes que eu possa desembarcar.
Uma hora depois, às 20h 45min, chego ao centro de São João e corro para conseguir chegar a tempo de pegar o ônibus que já vai saindo. Chego a tempo. Entro no coletivo lotado de trabalhadores, estudantes, velhos e deficientes físicos. O cobrador tem um olhar vermelho de quem trabalhou o dia inteiro, como eu. Como se não bastassem os quarenta e tantos graus de calor humano, um homem carrega, no meio do inferno, uma enorme caixa de isopor.
Chego ao ponto final, cinco minutos após haver embarcado no inferno ambulante. Lar doce lar. Está chovendo. As ruas cheiram à podridão e lixo azedo. Abro a porta de casa, à procura do abraço da minha mulher mas ela não está. Dou minha cagada habitual, de olhos bem abertos para não ser surpreendido por alguma barata; mas não posso tomar banho ainda, pois não estou suficientemente alerta para vigiar as lacraias que podem-me comer vivo. Meu Deus foi para voltar para cá que eu trabalhei o dia inteiro? Sei lá. Não, não tenho energia para indagações filosóficas. Preciso descansar, talvez dormir. Felizmente o despertador está com corda para amanhã me acordar a tempo de recomeçar minha corrida imbecilizante...
Uma hora depois, às 20h 45min, chego ao centro de São João e corro para conseguir chegar a tempo de pegar o ônibus que já vai saindo. Chego a tempo. Entro no coletivo lotado de trabalhadores, estudantes, velhos e deficientes físicos. O cobrador tem um olhar vermelho de quem trabalhou o dia inteiro, como eu. Como se não bastassem os quarenta e tantos graus de calor humano, um homem carrega, no meio do inferno, uma enorme caixa de isopor.
Chego ao ponto final, cinco minutos após haver embarcado no inferno ambulante. Lar doce lar. Está chovendo. As ruas cheiram à podridão e lixo azedo. Abro a porta de casa, à procura do abraço da minha mulher mas ela não está. Dou minha cagada habitual, de olhos bem abertos para não ser surpreendido por alguma barata; mas não posso tomar banho ainda, pois não estou suficientemente alerta para vigiar as lacraias que podem-me comer vivo. Meu Deus foi para voltar para cá que eu trabalhei o dia inteiro? Sei lá. Não, não tenho energia para indagações filosóficas. Preciso descansar, talvez dormir. Felizmente o despertador está com corda para amanhã me acordar a tempo de recomeçar minha corrida imbecilizante...


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