domingo, dezembro 30, 2001

"Poema de 31 de Dezembro"

Que no ano que vem o vinho não se transforme em sangue.
Que no ano que vem haja mais rodopios e menos colisões.
Que no ano que vem alguma canção alente nossas almas.
Que no ano que vem a solidão encontre parceiro.
Que não haja tanta dor,
Que a Dor Inevitável possa ser compreendida.

Que no ano que vem haja menos mulheres casadas e fatais.
Que no ano que vem a vida não seja um filme pornográfico de longa duração.
Que o sexo seja Amor e não Cocaína.
Que um dirigível anuncie que a humanidade está salva.
Que as mulheres-paisagens-desoladas encontrem seus segundos corações.
Que a vida seja cores vivas e doces sabores.

Que no ano que vem o sorriso moreno de Angela não seja uma teia inconsciente.
Que eu não precise continuar sendo um ilusionista.
Que Marli não tenha motivos para chorar.
Que Georgina continue a mesma e eu consiga descobrir se ela é feliz ou triste.

Que no ano que vem eu consiga distingüir entre o que é certo e o que é errado,
Mesmo que seja para escolher o que é errado.
Que no ano que vem haja mais movimento.
Que a esperança deixe de ser um jazigo tão apertado.
Que a sorte não seja vista por um espelho.
Que cada demônio interior seja aprisionado ou exorcisado.
Que os grandes olhos dela voltem a olhar em minha direção...

Isto não é um poema. É um desejo.