Às seis horas da manhã, o beijo de sua mulher acorda o homenzinho. Ele tem o tamanho de uma casca de noz. Ainda dormindo, lava o rosto, escova os dentes, molha os cabelos. Não há tempo para comer, nem se barbear, está atrasado.
O homenzinho faz o possível para continuar dormindo. Dói menos assim. Há pouco tempo, ele era um adolescente louco e cheio de sonhos-esperanças. Mas a vida se encarregou de cortar suas asas. Ele escapou das drogas, mas não do trabalho assalariado.
Às seis e meia, o ônibus chega, lotado de peões como ele e sua mulher. Irmãos, irmãos em desgraça. No caminho, a fumaça tóxica do engarrafamento o faz despertar. A Dor recomeça. As putas em final de expediente doem dentro dele; o aleijado que pede esmola no ponto de ônibus dói dentro dele; os velhos em fila no posto de saúde doem dentro do seu coração. As putas, os aleijados, os velhos, todos seus irmãos. Todos com os pés atolados na mesma merda, que cheira a caviar, uísque, suítes, tv a cabo e trabalho assalariado.
Na fábrica, seus companheiros o recebem com o "bom dia" de suas vozes metálicas. Sua melhor amiga pede que ele lhe lubrifique um pouco a tendinite de seus membros mecânicos. Seu chefe passa correndo à procura de um mágico de Oz que lhe devolva o coração engolido pela Máquina.
Às cinco da tarde, o homenzinho já produziu seus dois milhões de cédulas de Cinqüenta Reais e o Superintendente abre os grilhões para que ele possa voltar para casa. A Máquina precisa descansar; afinal, ela vale Três Milhões de Dólares enquanto a saúde humana não vale um peido apertado.
Ao chegar em casa, um banho rápido, um prato de comida, um pouco de tv e uma foda cansada. Meia-noite: Durma, homenzinho, dói menos assim...
O homenzinho faz o possível para continuar dormindo. Dói menos assim. Há pouco tempo, ele era um adolescente louco e cheio de sonhos-esperanças. Mas a vida se encarregou de cortar suas asas. Ele escapou das drogas, mas não do trabalho assalariado.
Às seis e meia, o ônibus chega, lotado de peões como ele e sua mulher. Irmãos, irmãos em desgraça. No caminho, a fumaça tóxica do engarrafamento o faz despertar. A Dor recomeça. As putas em final de expediente doem dentro dele; o aleijado que pede esmola no ponto de ônibus dói dentro dele; os velhos em fila no posto de saúde doem dentro do seu coração. As putas, os aleijados, os velhos, todos seus irmãos. Todos com os pés atolados na mesma merda, que cheira a caviar, uísque, suítes, tv a cabo e trabalho assalariado.
Na fábrica, seus companheiros o recebem com o "bom dia" de suas vozes metálicas. Sua melhor amiga pede que ele lhe lubrifique um pouco a tendinite de seus membros mecânicos. Seu chefe passa correndo à procura de um mágico de Oz que lhe devolva o coração engolido pela Máquina.
Às cinco da tarde, o homenzinho já produziu seus dois milhões de cédulas de Cinqüenta Reais e o Superintendente abre os grilhões para que ele possa voltar para casa. A Máquina precisa descansar; afinal, ela vale Três Milhões de Dólares enquanto a saúde humana não vale um peido apertado.
Ao chegar em casa, um banho rápido, um prato de comida, um pouco de tv e uma foda cansada. Meia-noite: Durma, homenzinho, dói menos assim...


<< Home