Confissão
É preciso comer - a comida não tem gosto...
É preciso fazer sexo - não há parceira...
É preciso fazer amor - não há Amor...
É preciso andar aos tombos - não há pedras no caminho...
É preciso lavar a alma - não há água-benta...
É preciso soltar o espírito - há pobreza de espírito...
É preciso confessar-se - o padre foi preso...
É preciso matar-se - não há vida...
É preciso amar ao próximo - não há ninguém por perto...
É preciso morrer numa guerra - não há inimigo...
É preciso evitar o vício - não há virtude...
É preciso descer ao Inferno - não há barca...
É preciso ser um nefelibata - sopraram as nuvens...
É preciso dar cabo dos loucos - os manicômios ruíram...
É preciso imolar uma virgem - a última virgem está grávida...
É preciso prever o futuro - não há Amanhã...
(Após o advento do Ano Dois Mil,
O templo do poeta ruiu, de velho...)
É preciso comer - a comida não tem gosto...
É preciso fazer sexo - não há parceira...
É preciso fazer amor - não há Amor...
É preciso andar aos tombos - não há pedras no caminho...
É preciso lavar a alma - não há água-benta...
É preciso soltar o espírito - há pobreza de espírito...
É preciso confessar-se - o padre foi preso...
É preciso matar-se - não há vida...
É preciso amar ao próximo - não há ninguém por perto...
É preciso morrer numa guerra - não há inimigo...
É preciso evitar o vício - não há virtude...
É preciso descer ao Inferno - não há barca...
É preciso ser um nefelibata - sopraram as nuvens...
É preciso dar cabo dos loucos - os manicômios ruíram...
É preciso imolar uma virgem - a última virgem está grávida...
É preciso prever o futuro - não há Amanhã...
(Após o advento do Ano Dois Mil,
O templo do poeta ruiu, de velho...)


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