quarta-feira, março 20, 2002

"Confissão II"

Ninguém me conhece.
Até os que me conhecem
E que me abraçam e falam comigo diariamente
Não me conhecem,
Não me conhecem mesmo quando tentam me desconhecer.

O meu soriso falso e eu,
Desde sempre, o palhaço da turma
Procurando minha alegria perdida por entre os anos.

Não, eu não sou o que aparece na foto,
Sou o que está codificado nas entrelinhas,
Quase camuflado nas sombras.
Não tenho respeito por nada,
Não tenho pena de ninguém
E não tenho a menor paciência para festas em família.
Dentro de mim nem há família...

Preocupados com a decadência do meu corpo feio?
Pois eu quero outra alma para deixar de ser eu.
Vejo a vida como vários sonhos intercalados brotando de uma greta sexual que perdeu a elasticidade.

Vocês que me abraçam e falam comigo,
Saibam que atravesso meus dias equilibrando-me sobre o Abismo
Num silencioso desespero...