Meu Quarto. A cama, ortopédica, duríssima, pré-histórica. O edredom quadriculado em tons de azul. Três travesseiros, cada um com uma fronha diferente. O lençol, diferente dos três travesseiros. Na cabeceira, um caderno de rascunhos, uma caneta bic, um lápis sem ponta, o Livro do Desassossego e um pacote com revistas pornográficas.
O ventilador, servindo de abajur no outono.
Sobre a cômoda, a tv novinha, desodorantes, caixas de remédios vazias, o video-cassete, e uma fita vhs pirata do acústico mtv do Nirvana.
Encostada à fresta da porta, uma cobra de pano estofada com areia – o ente sobrenatural que mantém meu sono a salvo do ataque das lacraias.
Janela aberta, com uma tela verde, improvisada. Os ônibus não estão passando na Avenida. Silêncio, sagrado como uma música de qualidade. Ar imóvel, horas paradas.
Para dar um toque humano à paisagem, Angela dorme, de bruços, com a bunda, cada vez maior, para cima. Ela é o que me une ao Tempo e à Vida...
O ventilador, servindo de abajur no outono.
Sobre a cômoda, a tv novinha, desodorantes, caixas de remédios vazias, o video-cassete, e uma fita vhs pirata do acústico mtv do Nirvana.
Encostada à fresta da porta, uma cobra de pano estofada com areia – o ente sobrenatural que mantém meu sono a salvo do ataque das lacraias.
Janela aberta, com uma tela verde, improvisada. Os ônibus não estão passando na Avenida. Silêncio, sagrado como uma música de qualidade. Ar imóvel, horas paradas.
Para dar um toque humano à paisagem, Angela dorme, de bruços, com a bunda, cada vez maior, para cima. Ela é o que me une ao Tempo e à Vida...

