É um país engraçado. Na sexta-feira passada, saí cedo do trabalho para ir a UERJ, fazer minha inscrição no vestibular dos pobres.
Um deputado – ou vereador, sei lá – chamado Capelli criou uma lei que obriga a UERJ a reservar 50% de suas vagas a candidatos que estudaram a vida inteira em colégio público. Até aí tudo bem: com certeza, uma pessoa que estudou no Colégio São Bento está muito melhor preparada que outra que estudou num CIEP. Mas que surpresa tive quando vi o edital! Descobri que, dos 50% das vagas reservadas aos pobres, 40% são reservadas aos negros e pardos – ou seja, uma colher de sopa de racismo dentro de uma lei anti-racista. Que diferença há entre um pobre preto e um pobre branco? Usando friamente a lógica para analisar esta cláusula do vestibular, o que poderia, se ambos tenham estudado na mesma escola pública, diferenciar um negro de um branco para que aquele tenha prioridade sobre este nas vagas? Os negros são inferiores intelectualmente? Pois, para mim, é o que esta lei atesta. E o que dizer então de mim, que sou preto, pobre, magro, feio e cabeçudo? E o que fazer por meu amigo Bebeto, que também é preto e pobre, mas não vai poder prestar vestibular porque cursou a 1ª e 2ª séries do ensino fundamental num colégio particular graças a uma bolsa de estudos? Lamentar... Apenas lamentar...
Enquanto isto, eu, que consegui pagar os R$26,00 da inscrição na prova dos brancos, vou prestar dois vestibulares para a mesma universidade, porque sou preto, pobre, magro, feio, cabeçudo, mas não sou bobo...
Racismo e pára-racismo. Como eu disse, é um país engraçado.
Um deputado – ou vereador, sei lá – chamado Capelli criou uma lei que obriga a UERJ a reservar 50% de suas vagas a candidatos que estudaram a vida inteira em colégio público. Até aí tudo bem: com certeza, uma pessoa que estudou no Colégio São Bento está muito melhor preparada que outra que estudou num CIEP. Mas que surpresa tive quando vi o edital! Descobri que, dos 50% das vagas reservadas aos pobres, 40% são reservadas aos negros e pardos – ou seja, uma colher de sopa de racismo dentro de uma lei anti-racista. Que diferença há entre um pobre preto e um pobre branco? Usando friamente a lógica para analisar esta cláusula do vestibular, o que poderia, se ambos tenham estudado na mesma escola pública, diferenciar um negro de um branco para que aquele tenha prioridade sobre este nas vagas? Os negros são inferiores intelectualmente? Pois, para mim, é o que esta lei atesta. E o que dizer então de mim, que sou preto, pobre, magro, feio e cabeçudo? E o que fazer por meu amigo Bebeto, que também é preto e pobre, mas não vai poder prestar vestibular porque cursou a 1ª e 2ª séries do ensino fundamental num colégio particular graças a uma bolsa de estudos? Lamentar... Apenas lamentar...
Enquanto isto, eu, que consegui pagar os R$26,00 da inscrição na prova dos brancos, vou prestar dois vestibulares para a mesma universidade, porque sou preto, pobre, magro, feio, cabeçudo, mas não sou bobo...
Racismo e pára-racismo. Como eu disse, é um país engraçado.

