domingo, abril 20, 2003

"Sábado de Aleluia"

Dia morno. Morto. Morto mesmo.
O meu coração parado.
Minha cabeça doendo de tanto não pensar.
A cama dura me expulsou do sono às duas da tarde.

Eu aspiro a poeira dos carros que passam
Levando trabalhadores, criminosos e donas-de-casa;
Observo adolescentes vestidos como integrantes de gangues americanas
E meninas de seios seminus.

Ao sol, a arma do segurança informal reluz como ouro.
Os olhos do traficante de drogas ao meu lado me assustam,
Porque a Violência é pão nosso de cada dia
E não há ninguém que possa tirar o corpo de Judas do galho da árvore.

quem tiver ouvidos que ouça,
Quem tiver olhos que veja:
-Tudo está morto.
Inclusive eu
Que não fui poeta, nem homem,
Nem nada.

Santificado seja o Vosso nome.