quarta-feira, junho 18, 2003

Funcionário

Minha amada dorme à espera de mais um dia de trabalho:
Musa assalariada.
Eu, míope, ligeiramente envelhecido, insône sob o edredom macio
Fantasiado de sociedade e civilização.

As contas religiosamente em dia.
Geladeira abastecida de sonhos e alimentos saudáveis,
ar limpo de ácaros, assento à prova de sobressaltos.

Todas as manhãs, Eu, homenzinho, sapatos, camisa social e gravata,
Sociável e civilizado,
Burocrata, parte da equipe.
Os processos me preocupam, as vidas dentro deles mais ainda
Porque doem como um genocídio.
Todas as manhãs, lúcido
Fantasiado de mim mesmo.

À noite, meu fantasma assombra amigos universitários.
Os livros de Platão estão lá, por ler
E os meus olhos perdidos no trajeto entre um e outro cenário de desolação.

Minha amada dorme...
Eu, fantasiado,
As contas em dia...
À prova de sobressaltos...
Os processos...
Todas as manhãs...
E os meus olhos perdidos...
O Fim?
O Fim do poema?
O Fim da Vida?
Carimbar, rubricar e datar.

domingo, junho 08, 2003

Encontrei o blog de um cara que suga os meus poemas. Não sei se me sinto lisonjeado ou enraivecido. Sei lá, encontrar alguém que goste tanto de seus escritos a ponto de querer rouba-los deve ser o sonho de qualquer escritor... Isto prova que sou bom? Não sei. Afinal, eu já soube de alguma coisa?!... Deixemos divagações para uma outra hora. A seguir, a cópia do email que enviei para o dito cujo. Quem quiser emitir alguma opinião a respeito do assunto, mande um email para mim ou para ele(filhote@ajato.com.br), que não sabe que todos os textos estão registrados na Biblioteca Nacional:



Caríssimo Cláudio Filho:


Começo dizendo que nem sei o que dizer. Belos, por que não dizer belíssimos, os poemas que encontrei no seu Blog...
...Uma pena que os poemas do seu blog sejam meus!

Eu sei que a vida deve ser difícil para pessoas como você, mas não se sinta sozinho neste mundo. Há muitos por aí como você, embora - não sendo minha intenção assusta-lo - a maioria esteja internada em manicômios. A psiquitria batizou-os de esquizofrênicos...
Existe o caso clássico, padrão, do sujeito que numa bela manhã acorda achando que é Napoleão Bonaparte e nunca mais se recupera. Tudo bem, querer ser Napoleão é até compreensível... Mas querer ser eu?...
Não, amigo, não queira ser eu, muito menos escrever poemas - é o melhor conselho que eu lhe posso dar. Vá dançar, vá ao parque de diversões, vá arranjar umas garotas... Este é o lado luminoso da vida!
Não habite o subterrâneo de sua própria alma, não esteja dentro da dor de corações alheios, não seja vegetariano sem saber por quê, não perca tempo no bate-papo erótico do uol, não seja tímido, não ame uma única mulher, não seja preguiçoso, não tenha horror ao trabalho, não tente ser menos inteligente, não espere que lhe venham buscar em casa...
Não tente ser eu!...
Você não vai gostar, nem um pouco. Há vezes em que eu mesmo não suporto.

Meu caro, desligue este computador, procure ajuda.
Há um belo dia lá fora.

Um grande, muito grande e fraternal abraço,
Murilo Teixeira, autor de Leões Alados sem Juba.

quarta-feira, junho 04, 2003

Nunca confunda amizade com amor.