sábado, novembro 29, 2003

Agora ela dorme. Esta noite, sua decepção é uma barreira intransponível entre nós. É realmente uma pena que ela não consiga enxergar alegria no meu rosto estático. Hoje, como ontem, sou tão feliz quanto posso ser, mas não é o suficiente. Ela exige saltos, cambalhotas e um grande sorriso na face da minha felicidade botulínica.
É essencial ser um palhaço, mas a água desmancha a maquilagem que ela prefere. A chuva segue caindo, miúda, mantendo à mostra meu rosto triste e feio. E esta noite é mais escura que as outras...

sexta-feira, novembro 28, 2003

"Aniversário"

Eu sou eu-mesmo ou quem represento?
Quem faz anos, o menino, o homem ou a farsa?

No dia do nascimento daquele que me impede de ser livre,
A chuva me batiza com um ou dois momentos de um prazer que Eu-mesmo escolhi...
A observa-la, canta minha tristeza de cabelos brancos
E a meu lado, como sombra, dança minha alegria de ontem
Silvando imóvel pelos ares...