quinta-feira, novembro 04, 2004

"PRESSÁGIO"

Isso não é uma fuga
Ainda.

O mundo trancado num quarto de 3m x 3m:
Os livros,
A Rede,
A mulher (ela me parece morta),
Os sonhos esquecidos,
Os sonhos nunca sonhados.
Aqui dentro o verão já começou
E toda esta parafernália ligada em tomadas amplifica o calor.
A mulher se move enquanto dorme
(Já não parece tão morta então);
Todos na vizinhança dormem como ela
Um sono cansado,
Um sono falso,
Para amanhã voltar ao emprego absurdo
Para poder comprar proteína
Para agüentar continuar trabalhando.

A mulher dorme, agitada
(Ela vai se tornar uma estranha para mim,
Como as outras).

Eu, desperto, sem conseguir esquecer quem sou.

Todos dormem
E a escuridão dos atos humanos
Apagou todas as estrelas do céu.
E Deus observa.